segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

IDÉIAS DE TERAPIA FONOAUDIOLÓGICA PARA CRIANÇAS AUTISTAS



Por Kate Miller-Wilson
Adaptação para o português: CORA

Se você é uma fonoaudióloga que trabalha com crianças no espectro ou um pai que tenta incentivar seu filho a melhorar nas habilidades de comunicação, alguns exercícios específicos de terapia da fala podem ajudar. O indivíduo com autismo pode ter sua  linguagem afetada de muitas maneiras. Muitas crianças com autismo acham desafiador  usar uma linguagem funcional e socialmente.


20 Ideias para estimulação da fala para crianças com autismo

Para a escolha mais adequada de uma abordagem terapêutica  para uma criança depende de vários fatores, incluindo a idade da criança, o nível de desenvolvimento, estilo de aprendizagem e interesse pessoal. Esta lista é dividida por idade, mas também pode fazer sentido para escolher atividades destinadas a crianças mais velhas ou mais jovens, se a criança tem um nível de funcionamento que exige isso.

Ideias para estimular a fala de crianças pequenas com autismo

Muitas crianças com autismo são diagnosticadas na primeira infância. Este é um momento essencial para as competências linguísticas, e a terapia da fala intensiva pode ajudar a construir interações significativas. Tente algumas destas ideias:

•             Em uma criança não-verbal, tente trabalhar com ruídos de animais, em vez de palavras. Muitas crianças com autismo têm uma afinidade com animais, e isso pode criar uma conexão emocional. Use celeiros de brinquedo, trens de animais, ou qualquer outro brinquedo que interessa a criança.

•             "Mais" é uma palavra importante para a comunicação funcional, e usando balanço ou outra atividade favorita é uma ótima maneira de incentivar a criança a tentar fazer isso. Balançar a criança para um momento ou dois, e depois parar e esperar  para ver se  a criança a faz o sinal "mais" com a mão, ou gesto corporal,  ou dizer a palavra "mais".
•             Coloque brinquedos favoritos ou itens de alimentos fora do alcance da criança, mas bem à vista. A criança deve realizar gesto ou pedir de alguma forma, a fim de obter o item. Incentive a criança a levar isto para o nível de comunicação, como de levar o adulto pela mão, para pedir verbalmente o item.
•             Para muitas crianças no espectro, a rotina é muito importante. Criar rotinas de conversação para ajudar a incentivar a linguagem.

Ideias para crianças com autismo em idade pré-escolar

Na pré-escola, o uso social da língua se torna mais importante. As crianças brincam em grupos, e isso pode ser um desafio para muitas crianças no espectro. Tente algumas destas ideias quando se trabalha com pré-escolares no espectro:


•             Inserir-se no jogo da criança, tomando uma volta de vez em quando. Por exemplo, se a criança está brincando com uma rampa de carro, levar o carro dele ou dela e colocá-lo descer a rampa. Em seguida, incentive a criança a dizer "minha vez" para obter o carro de volta.

•             Incentivar ainda mais a troca de turno, utilizando um jogo que a criança adora. Muitas crianças no espectro são altamente visuais, para um jogo como "Memória" pode ser  favorito. Revezando-se em um jogo como este vai ajudar a criança a preparar-se para conversação em uma troca de turnos.

•             Frases práticas e estratégias a criança pode usar para interagir com seus pares. Isso pode incluir comentando sobre uma atividade compartilhada, como brincar com blocos ou usando a tabela sensorial na escola.


Ensino Fundamental I

No ensino fundamental I, crianças no espectro autistas podem encontrar mais dificuldades pela exigência do próprio currículo escolar “exigir” mais independência de estudo e mais complexidade de conteúdo. Eles podem precisar  de negociação quando a situação mostra-se mais complicado para as interações sociais, e as diferenças de comunicação pode se tornar mais evidente aos seus pares. Tente algumas destas estratégias quando se trabalha com crianças em idade primária:

•             Use desenhos animados e histórias para ajudar as crianças a identificar como o personagem está sentindo e sugerir  respostas de linguagem mais adequadas para esse sentimento. Se a criança tem um livro favorito ou personagem, aproveitar este interesse para ilustrar este conceito.

•             Ensine as crianças a fazer perguntas. Uma maneira de fazer isso é para esconder um brinquedo ou objeto em um saco e ter a criança perguntar o que é. Expandir esse exercício por surgir com as questões sociais à criança pode pedir a um colega.

•             Trabalhar com dois ou mais filhos juntos para ajudar a facilitar a comunicação social.  Recompensar as crianças com um jogo favorito.

•             Modelo de comunicação não-verbal com a criança. É especialmente importante para trabalhar a postura corporal, tais como afastar-se ou cruzar os braços e expressões faciais. Script de interações que a criança pode realmente encontrar, e fornecer estratégias a criança pode usar para ter sucesso.


•             Muitas crianças no espectro têm intensos interesses especiais. Use esses interesses a sua vantagem para manter a criança envolvida na interação por longos períodos de tempo. Você pode trabalhar com perguntas e respostas.

Ensino médio

Na escola e ensino médio, as pressões sociais tornam-se ainda mais intensa. Pode ser necessário centrar a sua abordagem de terapia de interações não-verbais de pares e habilidades para a vida a criança precisa para ter sucesso depois da escola. Tente algumas destas ideias:

•             Ir para a comunidade com a criança, primeiro observando como as interações sociais acontecem e depois deixar a criança participar. Por exemplo, ter um filho assista aos outros fazer um pedido de almoçar em um restaurante, em seguida, falar sobre como a interação aconteceu.


•             Trabalhar em responder às pessoas em situações imprevisíveis e interações. Discussão sobre as estratégias, tais como sentimentos escuta ativa ou rotulagem, que a criança pode usar para negociar essas situações.

•             Etiqueta sobre namoro e interações com o sexo oposto pode ser um desafio para as crianças no espectro. À medida que envelhecemos, é importante trabalhar com os conhecimentos linguísticos necessários para essas interações. Discussão sobre fazer perguntas e respeitando limites.

•             Praticar as habilidades de entrevista de trabalho com a criança. Muitas crianças têm tempo parcial ou empregos de verão durante o ensino médio, e essas habilidades virão a calhar.


•             Resolução de conflitos pode ser um desafio para uma criança no espectro. Utilize vídeos, ajudas visuais e interações práticas para ajudar a criança a quebrar a interação e participar de forma produtiva e assertiva.

sexta-feira, 20 de junho de 2014

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Idéias de atividades

                                                  Pareamento, discriminação de cores


Jogo das emoções


sábado, 5 de maio de 2012

Projeto de Lei nº 1631/11

QUERIDOS, PRECISAMOS QUE O PROJETO DE LEI Nº 1631 SEJA APROVADO. ABAIXO ESTÁ UM MODELO DE CARTA ESCRITA PELO PAI ULISSES BATISTA PARA QUE TODOS NÓS ENVIEMOS PARA OS POLÍTICOS, AFIM DE PRESSIONÁ-LOS A APROVAÇÃO DA MESMA:


CARTA MODELO PARA ENVIAR AOS 513 DEPUTADOS FEDERAIS

Excelentíssimo Senhores Deputados Federais da República do Brasil,

A U T I S M O N O B R A S I L , U M G R A N D E D E S A F I O !
O B R A S I L P R E C I S A C O N H E C E R O A U T I S M O !

Solicitamos que seja APROVADO com a máxima URGÊNCIA o Projeto de Lei nº. 1631/11 que irá Instituir a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista – TEA, por se tratar de um projeto de grande relevância para as famílias das pessoas com autismo em nosso país.
Os pais e familiares de pessoas com autismo, nos últimos anos, vem se organizando em defesa dos direitos das pessoas com autismo. É fato que em nosso país não existe diagnóstico precoce na rede pública de saúde básica, é fato que não existe tratamento multidisciplinar (que é o mais adequado para o tratamento), é fato que as famílias não recebem apoio psicológico adequado para enfrentar os desafios de ter um filho com autismo.
E qual a conseqüência da falta de políticas públicas específicas para as pessoas com autismo em nosso país? Basta que vejamos o que dizem os jornais e revistas a respeito:
- O Jornal extra, do dia 28 Ago 1999, com a matéria: "Fiz o que achava melhor", o repórter Eduardo Euler e Paulo Carvalho, retrataram o drama de uma doméstica de São Gonçalo/RJ que por não ter condições de tratar seu filho autista, ABANDONOU-O na porta do Hospital Psiquiátrico Pedro II no RJ.

- O jornal O Globo, com a matéria: "Os meninos do porão", de 16 jul 06, a repórter Soraya Agig acompanhou o drama de algumas famílias de pessoas autistas, no estado de São Paulo, que mantém seus filhos em CATIVEIRO por não terem acesso a tratamento público voltado para as pessoas autistas; com o título de capa: “Meninos do porão”, vemos a dura e vergonhosa realidade de famílias que vivem com seus filhos autistas enclausurados em suas casas, pois a falta de diagnóstico precoce e tratamento público específico fez com que eles se tornassem INCAPAZES para o convívio social;

- A revista Época, de n° 520, de 05 mai 2008, traz de forma contundente a matéria: “Autistas em cativeiro”. Esta matéria revela de maneira a não deixar dúvida alguma, sobre os bastidores de como o nosso país trata, ou melhor, não permite que o devido tratamento seja dado as pessoas autistas e aos seus familiares”.
O Secretário Geral da ONU, Ban-Kimoon, determinou que o dia 02 de abril de 2008 fosse comemorado como “Dia Mundial de Conscientização do Autismo. E segundo estatísticas americanas coletadas em dezembro de 2009, pelo CDC (sigla em inglês para Centers of Diseases Control and Prevention), órgão de controle de doenças do governo dos Estados Unidos, para cada 110 crianças nascidas 01 apresenta Transtorno do Espectro Autista (TEA). No mundo, segundo a ONU, acredita-se haver mais de 70 milhões de pessoas com autismo, e no Brasil possam existir quase 2 milhões de pessoas com autismo, afetando a maneira como esses indivíduos se comunicam e interagem.
O Brasil, no último dia 02 de Abril de 2011, assistiu a vários monumentos sendo iluminados de azul, o Cristo Redentor no Rio de Janeiro foi um deles, como forma de chamar a atenção da população do país e do mundo para esse grave problema. E os responsáveis por esse movimento inédito no país foram os pais, familiares, amigos, e profissionais dedicados à causa das pessoas com autismo.
A convenção da ONU que trata sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência determina em seu Artigo 1º:

“Pessoas com deficiência são aquelas que têm impedimentos de natureza física, intelectual ou sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade com as demais pessoas.”

A referida Convenção da ONU já faz parte do ordenamento jurídico constitucional de nosso país, garantindo ainda mais o direito e o respeito às necessidades das pessoas com deficiência e considerando, dessa forma, que o autismo é uma deficiência.
Excelentíssimos Deputados, o assunto é muito grave, o Brasil não possui estatísticas para a síndrome do autismo, apesar de ter sido descoberto há mais de 66 anos (Drº Kanner, médico Austríaco erradicado nos EUA, que descobriu o autismo em 1944), em nosso país não existem pesquisas nos grandes centros Universitários em busca de soluções para a população. Desta forma o autismo continua desafiando a ciência, uma vez que, até os dias atuais, as grandes potências ainda não sabem a sua causa e/ou suas causas, contudo, eles desenvolvem métodos de tratamento que são aperfeiçoados ano após ano, visando estimular ao máximo as capacidades de suas crianças. É por isso que cresce em nosso país o desejo de pais, familiares, profissionais e amigos da causa pela aprovação do PL nº 1631/11, para que sejam implementadas políticas públicas em favor dos autistas. Este projeto de lei já foi aprovado no Senado Federal, e agora depende somente que os Excelentíssimos deputados compreendam a relevância desse projeto para os quase 2 milhões de brasileiros (as) com autismo, segundo estatísticas internacionais.
A falta dessas políticas fez com que a sociedade civil se organizasse nos últimos 12 anos, e buscasse junto às casas legislativas de nosso país, quer por meio de leis municipais já aprovadas (Lei 3.952/2011 - Barra Mansa/RJ e leis estaduais (Lei 10.553/2007 - Bahia e Lei 8.756/2009 - PB), quer por meio da justiça, com ações de Tutela Antecipada contra o Estado de São Paulo e contra o Estado do Rio de Janeiro, por não haver tratamento específico e diagnóstico precoce para as pessoas com autismo, inclusive com uma representação contra o Brasil junto à OEA, devido à demora da justiça do RJ em julgar a ação de Tutela Antecipada. As ações na justiça, as legislações municipais/estaduais e demais movimentos junto à sociedade visam:
1- O Diagnóstico Precoce na rede pública de saúde, ou seja, que seja implantado na rede de saúde básica, junto aos pediatras e aos outros profissionais que fazem o atendimento mãe/bebê, um inventário de diagnóstico precoce para que os profissionais identifiquem o quanto antes os sinais precoces para o autismo e, encaminhem para tratamento o quanto antes essas crianças;
2- O Tratamento Multidisciplinar, que é uma série de profissionais de várias áreas da saúde e da educação que irão montar estratégias para o tratamento da pessoa com autismo, e
3- O acompanhamento junto às famílias, pois precisarão de apoio psicológico para poder ajudar com mais eficiência os seus filhos.
Dessa forma, acreditando que Vossas Excelências compreenderão a urgência e a gravidade do tema, solicitamos mais uma vez que o Projeto de Lei nº 1631/11 seja aprovado o mais rápido possível para que tenhamos implantado no menor espaço de tempo em nosso país, a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista, e assim, possamos garantir aos brasileiros e brasileiras o direito de receberem o tratamento adequado, com equiparação de oportunidades, desfrutando plenamente de todos os direitos humanos e liberdades fundamentais em igualdade de oportunidade com as demais crianças, reconhecendo a importância de se estimular a sua autonomia, estimulando ainda a sociedade para o respeito pela diferença e pela aceitação das pessoas com deficiência como parte da diversidade humana e da humanidade, eliminando, sempre que possível, as barreiras atitudinais e ambientais que impedem a sua plena e efetiva participação na sociedade em igualdade de oportunidades com as demais pessoas.

Atenciosamente,

Movimento Nacional de Pais, familiares, amigos e profissionais dedicados à causa da pessoa com autismo.
"Uma Civilização será avaliada pelo tratamento que dispensa às minorias."
(Mahatma Gandhi)
"Autismo no Brasil, um grande DESAFIO!"
(Rafael Carvalho)




OS E-MAILS PARA ENVIO:



quarta-feira, 14 de março de 2012

I Escola de pais

O CORA está iniciando um novo projeto que é a Escola de pais.O Objetivo é instruir, orientar pais de pessoas com TGD. A entrada é franca.


No dia do evento terá um stand com material à venda para ajudar nosprojetos do CORA.

 "A alma generosa prosperará, e o que regar também será regado”. — Provérbios 11:25

 

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Pai cria programa de iPad para ajudar filha com tumor no cerébro a aprender a escrever

 
 
Sean Connolly e família (Foto: MailOnline)
Sean Connolly e família (Foto: MailOnline)
 
Sean Connolly é pai de Iris, uma menina de três anos que luta contra um câncer no cérebro, na Inglaterra. A garota sofreu perdas de memória em virtude do tratamento de radioterapia, e por conta disso ela sofre dificuldades de aprendizado. Buscando auxílio nas novas tecnologias, seu pai, que é desenvolvedor, fez um aplicativo para iOS para ajudar sua filha a aprender a escrever.
O funcionário público inglês chegou a testar aplicativos disponíveis na AppStore, voltados para a educação, mas ficou insatisfeito com os resultados. Precisando incentivar ao máximo a cognição da filha doente, resolveu ele mesmo desenvolver uma proposta mais bem acabada de aplicação, voltado para a alfabetização. O aplicativo, Share My ABCs, deu tão certo que virou uma iniciativa comercial.
O Share My ABCs tem uma mecânica simples: ele mostra figuras de animais e ensina a diferença que há entre uma letra minúscula e maiúscula. Além disso, o software permite que a criança escreva o nome da figura, deslizando o dedo na tela e, assim, escrevendo o contorno das letras que formarão as palavras.

Como todo app que se preze, o aplicativo também permite que a criança compartilhe seus resultados. Foi assim que a mãe de Iris, Debra, que mora na Nova Zelândia, acompanhou o progresso de sua filha. O aplicativo permite que a criança escreva mensagens e as salve em formato de e-card (e este pode ser enviado por e-mail para parentes, por exemplo). Foi assim que a pequena Iris conseguiu escrever uma mensagem para seu irmão adotivo, que reside com sua mãe na Nova Zelândia.
Sean desenvolveu a ideia e a apresentou para uma empresa de desenvolvimento de apps. A ideia rende à família de Sean 25% do lucro com os downloads do serviço, disponível para download em vários países.

Fonte: http://www.techtudo.com.br/noticias/noticia/2011/12/pai-cria-programa-de-ipad-para-ajudar-filha-com-tumor-no-cerebro-aprender-escrever.html

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Ensino especial ajuda no tratamento de autistas

Ensino especial ajuda no tratamento de autistas
Escola Classe da 405 Norte mostra bons resultados no acompanhamento de portadores do transtorno

Ana Carla Rocha
Ana Carla Rocha
As salas possuem móveis encostados nas paredes e poucas cores, pois isso incomoda os autistas.
A Escola Classe 405 Norte está promovendo, esta semana, uma série de atividades em comemoração ao Dia Nacional da Pessoa com Deficiência. Filmes, peças teatrais, reflexões e brincadeiras fazem parte da programação. Tudo voltado para um grupo especial de crianças. A escola, que em 2007 recebeu o prêmio Orgulho Autista concedido por uma associação nacional de parentes e simpatizantes, mostra que a educação é determinante no desenvolvimento de portadores da síndrome.

O evento foi organizado pelas professoras, mas são os alunos que conduzirão as atividades. A peça Na nossa escola todo mundo é igual foi produzida pela professora Joelma Esteves, mas ela adianta que os alunos têm total liberdade na atuação. A idéia é que os autistas tenham um momento de interação com o restante das crianças. Os alunos também assistirão ao filme Uma lição de amor, cuja história narra a vida de um autista, suas dificuldades e o convívio com os demais.

De cada 500 crianças que nascem, uma apresenta algum grau de autismo. E, em cada quatro, uma é do sexo masculino. No Distrito Federal, estima-se que haja quase 5 mil portadores do transtorno. Ainda não existe um estudo preciso sobre as causas e cura da síndrome. O diagnóstico é feito por meio de observação. Porém, muitos médicos ainda não estão suficientemente preparados para identificar a doença e a rede pública de saúde ainda engatinha na oferta de tratamento.  O que se sabe é que os autistas apresentam certo tipo de dificuldade na aprendizagem devido a um deficit de inteligência. Mas muitos deles têm melhoras significativas quando recebem um acompanhamento correto, por meio de psicoterapias e, principalmente, com a educação especial.
 
A Escola Classe 405 Norte, que já foi exclusivamente de alunos autistas, é muito procurada devido ao tratamento e acompanhamento que oferece aos alunos portadores da síndrome. "A maioria dos alunos já chega aqui com o laudo e nós encaminhamos para a classe mais adequada", informa a diretora Raquel Sampaio.

Raquel foi professora de autistas por nove anos a assumiu a direção da escola no início de 2008. Ela explica que as classes são divididas em três tipos: classes especiais, classes de integração inversa e as regulares. As especiais são compostas exclusivamente de autistas. As de integração inversa são mistas, porém com número menor de alunos. As regulares também têm alunos autistas, mas a turma é maior. Geralmente, as crianças são encaminhadas primeiro para as classes especiais. Caso a professora note que o aluno tem um grau mais brando do transtorno, ele avança para a classe de integração inversa.

As classes especiais comportam até cinco crianças com duas professoras. As salas possuem móveis encostados nas paredes, abrindo espaço para os alunos, e evita-se o uso demasiado de cores, pois isso os incomoda. A classe integração inversa admite no máximo 15 alunos sem a síndrome e até três autistas. É uma fase de transição importante para o autista, pois ele passa a ter contato com crianças do ensino regular. O número de alunos é reduzido para que a professora possa desenvolver melhor seu trabalho. Na classe regular, a quantidade de alunos sem o transtorno pode aumentar para até 28. "Já houve casos em que o aluno nem passou pela integração inversa, foi direto para a classe regular", conta Raquel.


Ana Carla Rocha
Professora Joelma mostrando as atividades
A professora Joelma Esteves, que leciona numa classe especial, conta que os autistas têm uma apreciação enorme pela rotina. Todos os dias, assim que entra na sala, a professora escreve tudo que será feito no lado esquerdo no quadro. "Os autistas resistem a mudanças", diz a professora.  Joelma conta que a turma é formada por três alunos e que eles não interagem entre si, característica própria dos autistas.  Eles fazem exercícios de associação de cores, colagens, de matemática. "Os autistas são muito bons em coisas exatas, até melhores que as pessoas ditas normais", observa Raquel. A escola possui ainda uma sala de recursos onde fica uma professora capacitada para atender os alunos que tenham algum tipo de surto ou apresentem agressividade. "Eles não são agressivos, mas, como não têm o recurso da fala, em momento de frustração acabam se exaltando", explica Raquel. 

O transtorno
O autismo é uma síndrome comportamental cujos sintomas aparecem antes dos 3 anos de idade. O portador apresenta dificuldades de se relacionar, deficit na comunicação, hábitos repetitivos, apreciação da rotina, dificuldade em manter contato visual, preferência por estar só, incapacidade de identificar situações de perigo, apego a objetos, repetição de palavras, rejeição a carinhos, dificuldade nos métodos normais de ensino.  Quanto mais cedo esses sintomas são identificados, melhor para a criança, pois ela pode ser encaminhada para uma escola preparada para recebê-la. Com o acompanhamento, a criança pode se desenvolver e mostrar melhoras.

Ajuda  
 Asteca:Associação Terapêutica e Educacional para Crianças Autistas Granja do Riacho Fundo,EPNB km 04 Área Especial s/nº - Riacho Fundo Brasília - DF Telefone(s):(61) 399 4555